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quinta-feira, novembro 04, 2010

Porque também se cometem erros

Não considerem isto um lamento. Não é a primeira vez que escrevo algo parecido, nem será certamente a última. Faz parte dos ossos do ofício, e apesar de custar sempre, o importante é que estejamos de consciência tranquila de que fizemos tudo para que não acontecesse.

Como a maior parte de vocês sabem, temos vários gatinhos já a criar noutros gatis, alguns em Portugal e outros no estrangeiro. Tentamos sempre ser o mais criteriosos possível na escolha, recusamos inúmeros pedidos por ninhada, mas ninguém está imune a cometer um erro.

Hoje, algumas ninhadas depois, sabemos que cometemos alguns mas também temos consciência que não podíamos ter deixado de os cometer. As pessoas nem sempre mostram tudo o que são e o tempo que há para que nos conheçamos todos não é, de modo algum, suficiente para diminuir a margem de erro. Isto mesmo depois de muitas conversas afáveis ao longo destes anos.

Temos uma situação delicada em Espanha, com uma linda gatinha Shadow Eyes, da qual não temos notícias e fotos há já algum tempo. E fotos porque temos de pedir autorização por questões de direito de autor, reclamadas pelo novo dono, que, por sua vez, nunca chegou a pedir autorização aos donos dos pais da sua gata, os verdadeiros autores dela, se podia ou não usar esses fotos. Notícias, porque de um momento para o outro toda a sua insegurança virou-se contra si mesmo e transformou uma sugestão de ajuda num ataque à sua imagem. De forma inacreditável...

Uma má pessoa nunca será um bom criador. De uma pessoa insegura nunca podemos ser dependentes. Eu, que não tenho o direito de vos pedir nada, peço-vos que quando comprarem um gato tenham isto em atenção. É óbvio que já nos oferecemos para voltar a ter a gatinha connosco, onde temos a certeza de que faz feliz os seus criadores e tem muito para dar a raça, mas sabemos que o processo não é fácil. Também sabemos que as portas que fechamos vezes sem contas aqui a alguns criadores se poderão abrir lá, e quanto a isso a única coisa que podemos dizer é que tudo na vida se mede pelo carácter. E estaremos aqui para denunciar essas situações caso se justifique. Porque os fins nem sempre justificam os meios.

Isto terá uma consequência para nós: vai tornar-nos ainda mais exigentes na altura de escolhermos um novo dono para os nossos gatos, seja ou não criador. E tentaremos sê-lo, até à exaustão, em nome dos nossos gatos. 

P.S. - O link desse criador foi obviamente removido das nossas páginas.

(by Luís)

quarta-feira, setembro 15, 2010

A propósito de criadeiros

Voltei a ouvir uma palavra que não ouvia há algum tempo: "criadeiro". Não porque não os veja ou não saiba quem são, apenas porque quando nos decidimos afastar deles o mais possível percebemos que a sua voz não chega com a força de antes e às vezes passa-nos ao lado. De vez em quando, o vento traz-nos algum ruído de volta e por isso estamos aqui.

E volto a este assunto porquê? É fácil, pode ser que eles saibam ler nas entrelinhas e se identifiquem nestas palavras. Não vou dizer os seus nomes porque não é a mim que compete fazê-lo, deveriam ser os clubes de felinicultura a exigir que quando se tropeça numa pedra e sai de lá debaixo um criador novo (ou velho) este deveria cumprir os requisitos para poder criar. Esses requisitos são básicos: preocupação pela raça, conhecimentos e condições sanitárias/emocionais para poderem fazê-lo.

Por vezes, acontecem-nos coisas estranhas, que muitos dos nossos amigos conhecem... Um criador que nunca nos dirigiu a palavra pode, entretanto, pedir-nos um macho para uma ninhada. Uma pessoa que tinha medo de pegar nos seus gatos, que mantinha num terreno onde não vivia, onde não havia praticamente contacto humano e onde estavam outros animais doentes, apresenta-se um dia como criadora e quer fazer parte do nosso círculo de amizades. Há outros que manifestam ter como grande objectivo na vida um número: 11, 12 ou 13 gatos em alguns meses e têm orgulho nisso. Outros estão a ver um Best in Show e a rotular um animal de tudo e mais alguma coisa só porque não é deles, quando quem deviam rotular seria os donos, de quem não gostam. E que não se preocupam minimamente com isso. Um novo criador, se é que se tornou em alguma coisa parecida, acusou-nos um dia de fascismo por escolhermos o macho e a fêmea com que queremos criar porque para ele isso é apenas juntar macho e fêmea no matter what... E há dezenas de outras histórias que passam, e nós continuamos. Dezenas de histórias que conhecemos e que se calhar não sabem que conhecemos. Por isso, não estranhem se não vos aceitarem como amigos na realidade ou numa rede social qualquer.

De repente, só porque estamos a ganhar têm de se juntar a nós. E "ganhar" não é ganhar expos, não é ter gatos espalhados por todos os continentes, ganhar é sobreviver neste mundo de cão, em que não é possível haver amizades sem interesses e todos se adoram por umas semanas antes de se odiarem ao primeiro problema. Podem pensar que somos nós que o fomentamos, que esta maneira de ser é que provoca tudo isto, mas eu acho precisamente o contrário. Digo-vos que nunca nenhum criador me desiludiu, e tenho amigos na criação. Amigos que são, sobretudo, inteligentes, e se preocupam sobretudo com as pessoas e os gatos antes de mais alguma coisa. Os outros - e já foram tantos - por norma atraem-se e juntam-se, alinham ideias, objectivos e pontos em comum; e nós seguimos tranquilos o nosso caminho :).

Sobre tudo isto, o que eu digo é simples. Podem dizer o que quiserem de mim, que não me interessa. Não estou nisto para fazer amigos, a minha preocupação é apenas uma: os meus gatos e os donos dos meus gatos, e ao preocupar-me com eles estou a preocupar-me com esta raça magnífica. É muito simples. Não me peçam machos para cruzar; aviso já que gosto ser eu a avaliar os novos donos dos meus gatinhos; e posso perder em todas as exposições que vou continuar aqui a lutar pelo que acredito. Não me peçam para recomendar pessoas em quem não confio, e a minha porta está sempre aberta para discutir questões sobre a raça. E onde nunca ninguém bateu com essa justificação, talvez a mais nobre de todas. Tudo isto somos nós desde o ano 0 e gostamos de ser assim.

Há uma cábula fantástica sobre o mundo da criação, que apesar de ser caricatural faz todo o sentido. São 12 anos/12 degraus em que um criador se move (copyright: Pawpeds; tradução livre) e que deixo aqui para reflexão, se a quiserem fazer. Para aqueles que se perguntam, respondo desde já que a faço muitas vezes e por vezes não concordo comigo mesmo, mas pelo menos prossigo de consciência tranquila:

Ano 1: é o ano do entusiasmo;
Ano 2: ele sente que sabe tudo;
Ano 3: sente-se pronto para ser juiz;
Ano 4: afinal, os juizes não percebem nada disto;
Ano 5: é melhor comprar mais gatos;
Ano 6: afinal, por que não ganha?
Ano 7: começa a olhar para as ideias de outros criadores:
Ano 8: percebe que os seus gatos não são perfeitos;
Ano 9: procura conselho;
Ano 10: não vai usar o macho que toda a gente está a usar;
Ano 11: vai apenas usar gatos de criação de qualidade;
Ano 12: começa a entender.

Em que degrau estão vocês?

(by Luís)

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