Às vezes, deparamo-nos com situações que nos deixam no mínimo perplexos. Por todo o lado estão a aparecer novos criadores (e até aqui tudo bem) sem o mínimo sentido de responsabilidade ou sequer a consciência da raça preciosa que tem entre mãos e de que têm de fazer tudo para a preservar (aqui já está tudo mal).
Aqui há uns tempos recebemos um e-mail a perguntar-nos por uma gatinha com o objectivo de criar. Apesar de não nos ter sido pedido, fizemos questão de explicar ao interessado que não basta comprar uma gatinha para criar como se a recolhêssemos de uma montra, havia que perceber se a gatinha complementava o macho que já possuía, se, no fundo, o resultado daquele cruzamento seria positivo para o apurar da raça. A resposta, por muitas mais palavras, resume-se a uma frase bizarra: «Para mim criar é juntar um macho com uma fêmea.» Qualquer macho com qualquer fêmea?
Também há umas semanas soubemos que um gato azul era mais raro e por isso 100 euros mais caro do que os demais. O verdadeiro alquimista, capaz de transformar carvão em diamante, de transformar tudo o que toca em ouro, não hesita. Maximiza o investimento: azul sólido com azul sólido só dá azul sólido... Para quem não percebeu desde o início, é óbvio que isto é ridículo. Primeiro, a mistura de dois gatos sólidos faz com que o pêlo saia mais fraco no filho, depois porque para ter um gato azul precisa-se apenas da presença de um gene no pai e na mãe. Dois tabbies pretos podem ter filhos azuis, basta que tenham esse gene.
Acho inacreditável (e já o disse aqui várias vezes) que quem tenha elegido como hobby criar uma raça de gatos não lhes reconheça algumas das características ou saiba distinguir cores. Queria sublinhar que um gato preto e uma gata azul, e vice-versa, não podem dar gatinhos azuis smoke!!!! O gene silver/smoke, quando existe, manifesta-se à superfície no fenotipo do gato. Ou seja, para um gato ser silver (no caso dos tabbies) ou smoke (nos sólidos) precisa que um dos seus pais seja também ele silver ou smoke. Eu sei que a genética é complicada, mas...
(by Luís)