sábado, julho 10, 2010

O parto - algumas ideias

É talvez o momento que mais nos assusta. A todos nós. Eu e a Ana fizemos a maior parte juntos, uma ou outra vez tivemos de ficar sós com as nossas gatas e ajudá-las. Mas preferimos estar os dois, porque nunca se sabe quando um de nós tem de acalmar a mãe e o outro agir. E o tempo passa mais depressa se conversarmos. 

Por norma, sou muito calmo até à altura da expulsão. A Ana critica-me por dormir entre o nascimento dos bebés de noite, enquanto ela fica de plantão para tocar o gongo. Na altura da expulsão, concordámos em agir sempre, preferimos assim, apesar de sabermos por vets e outros criadores que a mãe, quase sempre, sabe como cuidar deles. Mas nada se perde no processo, nem para a mãe nem para o gatinho, e por isso continuamos a fazê-lo. Nesses dois/três minutos a pulsação sobe: o apoio do bebé ainda metade-dentro metade-fora, o rasgar do saco, o cortar do cordão, o limpar do líquido amniótico das cavidades, a estimulação dos batimentos cardíacos e da sucção, a manobra para libertar os fluidos dos pulmões, e o devolver à mãe. Nesses minutos, desejo sempre ter mãos mais sensíveis e rápidas, porque os segundos contam. Mas, de forma mais ou menos atabalhoada, e quase sempre à vez, vamos conseguindo responder.

Aprendemos com a experiência a não nos assustarmos quando vemos uma pata primeiro, depois vieram as estatísticas que dizem que um terço dos gatinhos nasce assim. Também disseram-nos que o primeiro demora mais tempo e pode passar algum tempo a entrar e a sair. E que é normal. E tem um nome em inglês: «breach» («abertura»). O grande dia consegue-se prever com a medição da temperatura. Dois dias antes, baixa dos habituais 38,5 graus para os 36 e depois volta a subir. Quando sobe, a mãe está preparada para as contracções. Se pararem, podemos ajudar a que voltem ao fazer com que a mãe se mexa, passeando um pouco ali à volta.

Se antes do parto foi importante ter um sítio calmo para a mãe, o mesmo acontece depois. A caixa ou baú deve ser limpa, porque se não o for a mãe pode começar a remover os bebés de lá. O seu instinto o dita: o cheiro atrai os predadores. O mesmo acontece se o quarto for muito movimentado e barulhento e tenha a presença de outros gatos.

A temperatura é muito importante nos primeiros dias, bem como a amamentação. Os olhos abrem com uma semana, a audição surge a partir do quinto dia. E, se tudo correr bem, dentro de uma ou outra semana já nos pedem festas na barriga.

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