


A Emajõgi voltou a casa. Fomos buscá-la ao aeroporto a meio de Agosto, depois de ter sido devolvida pela dona, a senhora
Ana Luísa, a viver nos Açores. Esta lindíssima tartaruga está há três semanas connosco e mostra-se muito feliz. É uma verdadeira máquina de ronronar, acordando-nos por vezes a meio da noite só para nos mostrar o quanto se sente bem.
A gatinha magoou-se na pata posterior direita duas ou três semanas antes de sair para a nova casa. A sua futura dona foi avisada das consequências do acidente - que não sabemos qual foi, porque se acercou de nós já a coxear - e informada de todos os passos do processo. Para corrigir uma pequena lesão junto do joelho, foi-lhe colocada uma tala que deveria manter durante o máximo tempo que fosse possível. Dissemos à pessoa que a tinha reservado que gostaríamos que ela só saísse de perto de nós quando estivesse completamente recuperada, mas essa não era a sua opinião, porque, segundo a própria, ela encarregar-se-ia de que a Emajõgi tivesse todos os cuidados necessários para recuperar a cem por cento. O nosso veterinário, especialista em ortopedia, identificou a lesão e colocou-se à disposição do futuro veterinário para ajudar a resolver o problema.
A tala foi retirada já nos Açores. Era importante a administração de alguns exercícios de fisioterapia. Recebemos um mail da nova dona dando conta de uma situação assustadora, em que a pata girava por completo no sentido contrário, e em que se relatavam dores perante o contacto e receios de que o problema passasse para a outra perna e a outras articulações e que acabasse por morrer. Um pouco estranho numa lesão tramática... Nesse mesmo email era lançada suspeição de negligência sobre a nossa actuação e a do veterinário em todo o processo. Eram também sublinhados os elevados custos pelas idas ao veterinário e a inexistência de uma solução apresentada pelo mesmo. Imediatamente, a Ana ligou, explicando que podíamos tratar nós do assunto aqui. Obviamente devolveríamos o que foi dado por ela, inclusive até, segundo a Ana, poderíamos devolvê-lo e a gata ser mantida, depois de tratada por nós, na sua nova casa. Confesso que nunca estive muito de acordo com esta situação, mas foi o que foi dito. E seria cumprido.
Perguntámos apenas se não teria acontecido alguma coisa entretanto que pudesse ter agravado o problema. Uma simples questão, importante para o seu tratamento, foi levada como acusação, e a decisão rapidamente tomada: seria devolvida. No mesmo dia em que chegou foi levada ao vet, sedada e radiografada. Foi-lhe diagnosticado um ligeiro desvio, e acredita-se que poderá no futuro vir a ser corrigido. Estamos a fazer a fisioterapia que nunca foi feita e, se não resultar, será operada quando os ossos pararem de crescer, por volta dos oito meses. Por agora faz a sua vida normal: corre, brinca e é feliz. Não sente qualquer dor. Apenas põe a pata ligeiramente de lado...
Antes de deixar os Açores, a sua dona, com ela provavelmente ao lado, já enviava e-mails em busca de uma nova tartaruga. Confiando provavelmente que um ser vivo nunca adoece ou tem problemas. Como as réplicas de bebés em que trabalha e que comercializa. Assim, desculpem, é fácil de mais...
A Emajõgi ficará connosco o tempo que for preciso. Não sabemos ainda se integrará o gatil ou se trataremos de lhe encontrar uma casa onde verdadeiramente gostem dela. Essa decisão fica para mais tarde.
Queria avisar todas as pessoas que visitam este blog e este site: se pensam como esta senhora Ana Luísa não nos contactem. Para nós um bosque é uma dádiva e um companheiro e não algo que se exiba numa prateleira. E para ter um Shadow Eyes é preciso merecê-lo.
P.S. As fotos da Emajõgi foram tiradas hoje.
(by Luís)