segunda-feira, maio 31, 2010

Uma questão de bom senso

Queria partilhar convosco uma expressão que ouvi recentemente, proferida com tom pejorativo, acerca da criação: "criadores de apartamento". A vida ensina-nos muita coisa ao longo dos anos e talvez uma das mais importantes seja o bom senso. Não nascemos com ele, vamos ganhando algum de forma empírica. Uma das outras, talvez, a que devamos mostrar atenção é a nossa capacidade de questionar o que nos dizem, ensinam ou fazem crer, e a partir daí criarmos a nossa própria opinião. É essa que é mais importante do que todas as outras.

A uma primeira vista, um apartamento significa poucas condições para um projecto de criação, ao contrário de uma moradia com um amplo terreno livre. Até aqui estamos todos convencidos. No entanto, em todas as decisões que tomamos há sempre prós e contras; não há apenas preto e branco. Um terreno pode ter tantos ou mais contras do que um apartamento porque há, pelo menos, um objectivo que dificilmente poderá cumprir. Sigam, se estiverem dispostos, o meu raciocínio: a missão de um criador é criar bons gatinhos de companhia, meigos, sociabilizados, preparados para viver entre pessoas e talvez outros animais. É verdade que de vez em quando, talvez mais vezes do que deveríamos por sermos humanos, cometermos erros  e gostarmos tanto deles, tiramos dessa linhagem um gato de criação e exposição. Mas engana-se quem pensa que está a criar gatos apenas com esse fim. A sua missão, se um criador estiver disposto a aceitá-la, é encontrar um bom lar "civil" para o seu gatinho.

Ou seja, estamos a criar gatinhos de companhia, provavelmente de apartamento. Precisam de estar habituados a pessoas, a ruídos, a meios ambientes. A regra, se quiserem sabê-la, é que cada gatinho deve conhecer (e conhecer é bem mais do que ter contacto uma vez na vida) pelo menos mais cinco pessoas do que o seu criador antes de ir para a nova casa e desde as três às oito semanas de vida. Deve estar habituado também a outros animais. Que melhor sítio para que isso aconteça do que no meio de pessoas? Que melhor meio ambiente do que um habitat humano e, se possível, com outros gatos adultos e bebés? E, outra coisa,  os bebés a partir dos três meses que compramos ou retiramos dos nossos gatos vão crescer em que meio? No jardim? E queremos, assim, que eles se sintam à vontade quando lhes pegamos, que não fujam perante estranhos?

Depois, há uma outra coisa que me preocupa. Um gato numa "jaula", sozinho, mesmo que essa jaula esteja entre aspas e seja um gatil xpto com alguns metros quadrados como galões, será feliz? Ou será mais feliz um que durma aos nossos pés no sofá? Ou numa cama? Claro que um apartamento tem contras, mas o errado é pensar que está tudo errado só porque nos disseram que estava. Eu, pelo menos, sei quando os meus gatos estão tristes ou felizes; e vocês, há quanto não visitam a "jaula" deles?

(by Luís)

2 comentários:

Andréia disse...

Concordo plenamente! Já cansei de ver fotos de instalações onde os gatos vivem em grande jaulas, com brinquedos, arvores, arranhadores e etc... mas eu prefiro os meus gatinhos dentro de casa, eu sempre digo que eu moro com os meus gatos e não o contrário.

Claro que se você pensa em reprodução, não dá para morar em um cubiculo, tem que ter um bom espaço para permitir que os gatos possam correr e brincar a vontade.

Ana Bazan disse...

Ora eu concordo plenamente também, ainda que tenha uma casinha em madeira no meu terraço, serve-me essencialmente para guardar algumas coisas que não consigo ter dentro do apartamento. Por vezes os meus dois gatos dormem lá, especialmente a Hilda que pede para sair de casa e ir para o cantinho dela. Uma coisa é certa, os meus dois gatos habitam toda a casa, sem qualquer restrição, num contacto constante com a minha presença. Sei que são felizes! E isso é o mais importante para mim.

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